
assimetria CONCEITOS DE
CULTURA Cultura como
experimentação Códigos
culturais por Regiane
Oliveira Todo código é
um sistema modelizante: trata-se de uma forma de
regulação necessária para a
organização e desenvolvimento da
informação. Os códigos culturais
são definidos como sistemas semióticos pois
são estruturas de grande complexidade que reconhecem,
armazenam e processam informações com um duplo
objetivo: regular e controlar as manifestações
da vida social, do comportamento individual ou coletivo.
Segundo tal concepção os seres humanos
não somente se comunicam com signos como são
em larga medida controlados por eles. Desde a mais tenra
idade os homens são instruídos segundo
códigos culturais da sociedade. A cultura não
pode organizar a esfera social sem signos, afirmam os
semioticistas. Cultura é um sistema
semiótico, um sistema de textos, e, enquanto tal, um
sistema perceptivo, de armazenagem e
divulgação de informações. Como
os processos perceptivos são inseparáveis da
memória, na estrutura de todo texto se manifesta a
orientação para um certo tipo de
memória, não aquela individual, mas a
memória coletiva. Cultura é assim
memória coletiva
não-hereditária. Cultura
como informação por Regiane
Oliveira Para a semiótica, a
cultura é um conjunto de informações
não-hereditárias que são armazenadas e
transmitidas por um determinado grupo. Uma vez que a cultura
compõe-se por traços distintivos, as
informações vinculadas a uma coletividade
configuram-se como um subconjunto caracterizado por um certo
padrão de ordem. A compreensão de
produção simbólica de uma sociedade se
dá pela análise das trocas informacionais que
ocorrem tanto no interior de uma dada
organização, como entre diferentes estruturas.
Além de transmitirem um determinado conteúdo,
as interações entre diferentes mensagens
possuem uma função bem mais abrangente, pois
as transferências informacionais estabelecem-se como
parâmetro de regulação, que visam manter
a inteireza de um dado sistema, combatendo a tendência
degenerativa de uma informação em
trânsito. A contínua
retroalimentação realizada pelas trocas
informacionais garante a eficiência das mensagens no
intuito de assegurar uma série de invariáveis
dentre um conjunto de variáveis mantidas no interior
de um sistema. Ao conceber a cultura como
informação os semioticistas russos se voltam
para os códigos
culturais dentro da
perspectiva de regulação de comportamentos.
Segundo Ivanov o homem não somente cria signos mas
é também regulado por eles. Os códigos
culturais funcionariam, assim, como programas de controle,
tal como havia sido previsto pela cibernética. A
cultura funciona então como um programa e, enquanto
tal, como informação. Gênero
por Irene
Machado Gênero é um
conceito central para os estudos semióticos russos,
sobretudo depois que Mikhail Bakhtin o tornou chave da
poética histórica à luz do dialogismo,
onde não é classe nem cabe nos limites da
poética aristotélica. Segundo Bakhtin,
gênero define as infinitas possibilidades de uso da
linguagem na produção de mensagens no tempo e
no espaço das culturas. A necessidade de entender as
formas comunicativas de um mundo prosaico levou Bakhtin
à formulação dos gêneros
discursivos que, ao se reportarem às esferas de usos
da linguagem através de um processo
combinatório, aciona o mecanismo semiótico da
modelização. Gêneros
discursivos por Irene
Machado Formas discursivas que dizem
respeito às infinitas esferas de uso da linguagem.
Para Bakhtin existem as formas que organizam a
comunicação ordinária (oral e escrita),
correspondendo, assim, aos gêneros primários.
Deles surgem os gêneros secundários que
são formas discursivas mais complexas. Literatura,
documentos oficiais, jurídicos, empresariais; relatos
científicos; jornalismo (oral e escrito) são
alguns dos gêneros secundários apontados por
Bakhtin. Ao se tornarem conceito
chave também para a semiótica da cultura, os
gêneros discursivos definem um campo mais amplo da
comunicação,considerando não apenas as
formas elaboradas pelas linguagens naturais como
também da comunicação mediada. Filmes,
programas televisuais e radiofônicos,
espetáculos e performances, publicidade,
música e as formas da comunicação
mediada pelo computador (e-mail, chats, lista de
discussão) podem ser definidas como gêneros
discursivos secundários. Na recente abordagem
semiótica das mídias, os gêneros
discursivos têm o poder de definição da
própria mídia como sistema de signos na
cultura. Ícone não
é propriamente um quadro mas um sistema figurativo
cujas imagens apresentam um alto grau de semioticidade (ou
convencionalidade). A pintura icônica foi entendida
como um sistema modelizante sobretudo porque, embora fosse
uma atividade fundada na cópia, desde os exemplares
mais remotos, denunciava alguns procedimentos vitais para
sua constituição como linguagem. Quer dizer,
os elementos da composição dos ícones
podem ser lidos como um arranjo de paradigmas (cores,
perspectiva inversa, molduras) e sintagmas
(recodificação do significado das figuras,
sintaxe geométrica) tornados, assim, alfabeto
elementar do idioma pictórico icônico.
Modelização torna-se chave da semioticidade do
conjunto pictórico. Uma das expressões
máximas da pintura icônica medieval na
Rússia foi Andriei Rubliov (c. 1360-1430)
. Mecanismo semiótico
de transmissão de mensagens por meio de um conjunto
de signos elementares. A língua natural é um
sistema modelizante uma vez que se constrói a partir
de outros mecanismos tais com fonação,
grafismo, convenções
sócio-culturais. Linguagem, no sentido
semiótico mais amplo do termo, é sistema
organizado de geração,
organização e interpretação da
informação. Em outras palavras, trata-se de um
sistema que serve de meio de comunicação e que
se utiliza de signos. O fato de possuir regras de
combinação definidas distingue a linguagem dos
sistemas não comunicativos e dos sistemas
comunicacionais que não utilizam signos. A linguagem
se distingue igualmente dos sistemas que servem de meio de
comunicação e que utilizam signos pouco
formalizados ou sem nenhuma formalização. Para
os semioticistas russos, há três campos bem
definidos na linguagem: as línguas naturais; as
línguas artificiais (linguagem científica,
código morse, sinais de trânsito); as
linguagens secundárias estruturadas e sobrepostas
à língua natural como a arte, o mito, a
religião. Linguagem é também entendida
como a que se expressa não por signos
lingüísticos mas por outros signos, seja
através da arte, da técnica de
representação e de expressão
gráfica, da imagem de uma tema real ou
imaginário, em suas várias formas e objetivos
sejam eles (lúdico artístico,
científico, técnico e pedagógico). Esse
é o contexto do desenho entendido como
linguagem. Modelizar é ler os
sistemas de signos a partir de uma estrutura: a linguagem
natural. O objetivo é conferir estruturalidade a
sistemas que, por natureza, não dispõem de um
modo organizado para a transmissão de mensagens. A
busca da estruturalidade corresponde à busca da
gramaticalidade como fenômeno organizador da
linguagem. Contudo, no processo de
decodificação do sistema modelizante,
não se volta para o modelo da língua, mas para
o sistema que a partir dela foi construído. Modelizar
traduz, portanto, um esforço de compreensão da
signicidade dos objetos culturais. Modelizar é
semioticizar. Mito, religião, arte e literatura foram
os sistemas modelizantes para os quais, inicialmente, se
voltaram os semioticistas russos. Na tradição
do ícone medieval, por exemplo, Boris Uspênski
encontrou fundamentos teóricos sobre a
modelização na pintura. Semiosfera
por Reheniglei
Rehem O conceito de semiosfera
acompanha a maturidade do pensamento semiótico russo.
Fundamentado na teoria da biosfera do químico V.I.
Vernádski e do dialogismo de M. Bakhtin, o conceito
de semiosfera foi formulado por I. Lotman para exprimir a
cultura como um organismo não separando aspectos
biológicos de aspectos culturais, o homem do mundo.
Trata-se de um espaço que possibilita a
realização dos processo comunicativos e a
produção de novas informações,
funcionando como um conjunto de diferentes textos e
linguagens. O conceito de semiosfera
está ligado à idéia de fronteira e de
simetria especular. Fronteira define a
relação entre aquilo que está dentro e
aquilo que está fora do espaço
semiótico. A noção básica
procede da matemática, mais precisamente da
noção de conjunto de pontos que funcionam como
tradutores (filtros) graças ao qual se mantêm
os contatos com os espaços
não-semióticos permitindo a
penetração do externo no interno, filtrando e
adaptando. A simetria especular
é a própria idéia da semiosfera
enquanto intercâmbio dialógico; é um dos
princípios estruturais de organização
interna do dispositivo gerador de sentido; nela aparece o
fenômeno do duplo, da intratextualidade e um dos mais
complexos processos informacionais, o dialogismo, fundamento
de todo o processo gerador de sentido. Na semiosfera o grau
de organização da cultura está na
passagem da organização interna para a
desorganização externa, do caos para a ordem,
daí podermos chamá-la de ''contínuo
semiótico''. São sistemas
relacionais constituídos por elementos e por regras
combinatórias no sentido de criar uma estruturalidade
que se define, assim, como uma fonte ou um modelo. A
semiótica da cultura não trata indistintamente
de diferentes sistemas de signos, mas dos sistemas em
relação à linguagem natural. Esta
é um sistema modelizante primário dotada de
estruturalidade; a partir dela é possível
compreender outros sistemas da cultura, os sistemas
modelizantes secundários. À luz dos sistemas
modelizantes secundários, a semiótica torna-se
uma disciplina para o estudo não do signo, mas da
''língua''. Os sistemas modelizantes podem ser
entendidos como sistemas de signos, como conjunto de regras
(códigos, instruções, programas) para a
produção de textos no sentido semiótico
amplo e como totalidade de textos e suas
funções correlatas. Todos os sistemas
semióticos da cultura são, a priori,
modelizáveis; prestam-se ao conhecimento e
explicação do mundo. O modelo primário
de modelização é a linguagem natural,
enquanto todos os demais são secundários.
Alguns sistemas modelizantes secundários (literatura,
mito) usam a linguagem natural como material, acrescentando
outras estruturas e todos eles são construídos
em analogia com as linguagens naturais (elementos, regras de
seleção e combinação,
níveis) que funcionam como metalinguagem universal de
interpretação.
binarismo
códigos
culturais
comportamento
convencionalidade
cultura
culturalização
dialogismo
ecologia cognitiva
estranhamento
estruturalidade
gênero
gêneros
discursivos
interação social
língua
linguagem
logosfera
máquina
memória
modelização
programa
prosificação da cultura
recodificação
refração
relatividade
semiosfera
semioticidade
simetria
signicidade
signo ideológico
sincretismo
sistemas modelizantes
sociosfera
texto
tipologia da cultura
tradução
transferência
universais da cultura
Cultura
como
informação
Cultura como texto
Cultura como memória coletiva não
hereditária
Cultura como semiosfera
